segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Estranho pensar como passou o tempo tão depressa, como depressa me acomodei a este espaço onde pouco mais acontece, senão eu. Soam músicas de Natal lá fora, e ainda me recordo daquela noite... Suspiro por não saber o que pensar, ou o que dizer, portanto simplesmente suspiro. Será que ainda te lembras? Será que ainda pensas nisso? Sei que hoje vou adormecer com um sonho no pensamento, um carinho em mim. Não sei porque ainda me controlo para te dizer o que penso, o que sinto... As palavras com certeza não me reconfortarão do facto de neste momento não estares comigo. Vou levar a Lua comigo para o sótão esta noite, e um cobertor. Estou cansada, mas não consigo adormecer sem achar que vais aparecer por aí... Como gostava de não sentir necessidade de o dizer, de não sentir... de ser apenas eu na multidão que faz o eu no meu mundo... Mas não, tu também lá estás, e o teu olhar; assim como toda aquela recordação que tenho de ti e guardei nas estrelas que baptizámos do meu telescópio. E Paris torna-se assim mais que aqueles sonhos que costumamos ter à distância... Talvez aquele que de todos seja o mais real. Ainda assim, fujo ao sonho com vontade de o agarrar. Vem Lua, vem para junto de mim.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Deste-me vontade de escrever. Já há muito o não fazia por ninguém. Sei que nunca lerás estas palavras e muito provavelmente nem as perceberás, a não ser por gestos.
Gostei de sonhar esta noite. Partilhar contigo o meu espaço, este simples apartamento no quarto andar do prédio que tem vista para a torre Eiffel... Vêem-se as luzes de Natal já a iluminar as ruas e eu pergunto-me porque sinto que és aquela pessoa que nunca procurei, mas que apareceu... Pergunto-me o que sentiste...
Gostei de sonhar esta noite. Partilhar contigo o meu espaço, este simples apartamento no quarto andar do prédio que tem vista para a torre Eiffel... Vêem-se as luzes de Natal já a iluminar as ruas e eu pergunto-me porque sinto que és aquela pessoa que nunca procurei, mas que apareceu... Pergunto-me o que sentiste...
sábado, 29 de maio de 2010
Esplendorosamente acordei de um sonho lindo, como se estivesse a dormir durante meses... Mas que sonho!!! Acho que foi tão lindo como assustador, mas não lhe poderei chamar pesadelo. Nele entraram todas as pessoas que para mim são especiais, talvez todas as coisas também... E que saudade! Que saudade de me sentir aconchegada pelas pessoas que me querem... Ele também entrou... O rapaz da mercearia lá de baixo. Não sei se lhe deva contar esse meu sonho, pois foi tão real, mas ao mesmo tempo tão fictício, e nunca qualquer fantasia que se possa ter criado sobre esse sonho pode vir a concretizar-se.
Deu-me vontade de voltar a Portugal, mas ainda é cedo, vou talvez esperar pelas férias grandes, com ideias novas, com sonhos diferentes... Não posso deixar-me levar por um sonho assim, não sem ter tido outros. Tem sido tudo muito sossegado por aqui, mas sinto necessidade de viver. Acho que vou ao cinema, ou alugar um filme, ou mesmo quem sabe, convidá-lo para jantar aqui em casa, e para vermos um filme por cá. Acho que não é má ideia...
Bem, vou sair. A Lua olha-me de novo com aqueles olhos de "mas que raio! vais deixar-me sozinha outra vez???".
Tem que ser, Princesa. O sonho deu-me fome, vou comprar pãozinho fresco e os ingredientes para o jantar. E claro, vou fazer o convite! ***
Deu-me vontade de voltar a Portugal, mas ainda é cedo, vou talvez esperar pelas férias grandes, com ideias novas, com sonhos diferentes... Não posso deixar-me levar por um sonho assim, não sem ter tido outros. Tem sido tudo muito sossegado por aqui, mas sinto necessidade de viver. Acho que vou ao cinema, ou alugar um filme, ou mesmo quem sabe, convidá-lo para jantar aqui em casa, e para vermos um filme por cá. Acho que não é má ideia...
Bem, vou sair. A Lua olha-me de novo com aqueles olhos de "mas que raio! vais deixar-me sozinha outra vez???".
Tem que ser, Princesa. O sonho deu-me fome, vou comprar pãozinho fresco e os ingredientes para o jantar. E claro, vou fazer o convite! ***
segunda-feira, 1 de março de 2010
Acordei e abri as portadas da varanda. A luz dos raios de sol entrou pelo meu quarto e vi esvoaçar a primeira borboleta do ano. Amarelinha, reflecte os raios de sol, como se ainda mais forte fosse do que eles. A borboletinha não iluminou apenas o meu caminho, fez-me sorrir, iluminou-me a alma. Nem sempre fui fã de borboletas. Em pequena tinha pavor a estes pequeninos e indefesos animais. Talvez ainda guarde algum. Faz-me um pouco de impressão sentir o bater de asas que não são de pássaros, mas é uma simples impressão.
No entanto, esta simples borboleta relembrou-me aquela Primavera que não sinto há muito, encheu-me de alegria.
Neste momento a minha varanda é um terraço, e eu sou borboletinha amarela, como naquele poema que um dia te escrevi. Deves lembrar-te dele. Na altura só queria ser assim, como tu, borboletinha amarela. Parece-me que finalmente o consegui... Será verdade?
No entanto, esta simples borboleta relembrou-me aquela Primavera que não sinto há muito, encheu-me de alegria.
Neste momento a minha varanda é um terraço, e eu sou borboletinha amarela, como naquele poema que um dia te escrevi. Deves lembrar-te dele. Na altura só queria ser assim, como tu, borboletinha amarela. Parece-me que finalmente o consegui... Será verdade?
sábado, 27 de fevereiro de 2010
A dor no meu peito não é má, nem tão perto disso. Precisei de fugir, mesmo sabendo que ela me acompanharia. Ouvi dizer que em Portugal o tempo está horrível, que mal se pode sair de casa. Só rezo para que o vento não venha até cá. Hoje perdi-me, como calculava, mas não me arrependo disso. Estava na esperança de encontrar alguém conhecido por estes lados, sei lá... Ando com saudades de cozinhar para muita gente e receber elogios dos meus cozinhados (quem não gosta?). Sinto saudades, especialmente, do Verão. Quando vem o Inverno parece que nos esquecemos do desconforto que o calor em demasia nos traz, mas neste momento dava tudo para que fosse Verão um dia a seguir ao outro.
Estive a almoçar ao pé da torre Eiffel. Não sei que mais posso pedir para viver "La vie en rose".
Passei num centro de computadores onde temos acesso à Internet e gastei umas moeditas para consultar a minha caixa de email. Talvez tivesse sido melhor não o ter feito, até porque tenho que esquecer por uns tempos Portugal. Penso que a 1a viagem que fiz de França para Portugal foi um grande desafio. Não sei porque perdi toda essa autonomia, toda essa capacidade de me desafiar a mim mesma nos três meses e pouco que passei em Portugal depois de ter regressado "de vez". A verdade é que também foi grande desafio ter deixado tudo para trás. Está na altura de começar a pensar no que vou fazer para compor a minha vida... Talvez peça de Portugal os documentos necessários para me inscrever para os exames nacionais e recandidatar-me ao ensino superior. Adorava seguir algo relacionado com artes ou literatura. Vou pensar no assunto... Quem sabe, não afino o meu francês e não me candidato aqui em Paris a fazer algo que realmente me chame a atenção... Mas aqui em França seria difícil ser reconhecida. Não... Algum dia terei de voltar para Portugal e tenho que me preparar psicologicamente para isso. A Lua concorda comigo.
Apetece-me fazer assim uma loucura... Vou combinar algo com o rapazito da mercearia. Apetece-me sair, dançar, cantar, sei lá... Viver... Apetece-me viver!
Estive a almoçar ao pé da torre Eiffel. Não sei que mais posso pedir para viver "La vie en rose".
Passei num centro de computadores onde temos acesso à Internet e gastei umas moeditas para consultar a minha caixa de email. Talvez tivesse sido melhor não o ter feito, até porque tenho que esquecer por uns tempos Portugal. Penso que a 1a viagem que fiz de França para Portugal foi um grande desafio. Não sei porque perdi toda essa autonomia, toda essa capacidade de me desafiar a mim mesma nos três meses e pouco que passei em Portugal depois de ter regressado "de vez". A verdade é que também foi grande desafio ter deixado tudo para trás. Está na altura de começar a pensar no que vou fazer para compor a minha vida... Talvez peça de Portugal os documentos necessários para me inscrever para os exames nacionais e recandidatar-me ao ensino superior. Adorava seguir algo relacionado com artes ou literatura. Vou pensar no assunto... Quem sabe, não afino o meu francês e não me candidato aqui em Paris a fazer algo que realmente me chame a atenção... Mas aqui em França seria difícil ser reconhecida. Não... Algum dia terei de voltar para Portugal e tenho que me preparar psicologicamente para isso. A Lua concorda comigo.
Apetece-me fazer assim uma loucura... Vou combinar algo com o rapazito da mercearia. Apetece-me sair, dançar, cantar, sei lá... Viver... Apetece-me viver!
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Cheguei a casa. Como deixei a porta da varanda aberta, andei preocupada à tua procura, Lua, enquanto não te vi lá a matar passarinhos só com os olhos. Apesar de tudo, sempre admirei o mistério que tens no teu olhar quando olhas para cima, para o azul do céu. Com a cabeça entre as grades da varanda quase que te vejo a cair, sua maluca! Vem já para aqui! Trouxe-te um mimo, como te prometi. Passei numa loja de animais e trouxe um brinquedito para nos entreter-nos juntas.
Como foi o passeio? Foi bom, mas estou cansada demais para contar. Prometo que esclareço tudo mais tarde. "Vou encostar-me na cadeira de baloiço, queres vir?"
Como foi o passeio? Foi bom, mas estou cansada demais para contar. Prometo que esclareço tudo mais tarde. "Vou encostar-me na cadeira de baloiço, queres vir?"
São 8 da manhã. Hoje está um dia lindo, daqueles em que não importa quantos quilómetros andamos a pé, desde que aproveitemos o dia ao máximo para conhecer. Logo, é o dia ideal para começar a minha visita auto-guiada por Paris. Levo aquilo que é necessário, e mal o Sol se levante mais um pouco, eu saio. Hoje não está vento nenhum, não há uma nuvem no céu... E condeno-me por viajar solitária. Sou assim, e por ser assim é que consigo receber a poesia dentro de mim.
Faz-me mal sair sozinha, e muitas vezes a minha mãe me disse para eu não me fechar em mim. A verdade é que por mais que me refute este sentimento, a única companhia que eu gostaria de ter aqui eras tu. Durante os meses da minha estadia em França também muitas vezes te desejei ao meu lado nesses passeios solitários que eu fazia. Mas nunca vieste, e eu passava dias a desejar ter-te ao meu lado, e nada, nunca vieste. Mesmo que não tivesse a ver com a falta de dinheiro, nunca vieste. Jurei que te pagaria o bilhete, se quisesses vir, mas esperei, esperei, e muitas vezes imaginei-te à minha espera na porta da residência... Tudo culpa da minha estupidez natural. Nunca virias. Por isso, desta vez, não vou voltar a fechar-me. Tomei a minha decisão de vez, mesmo que me prometesses que iria ser diferente, não criaste em mim confiança suficiente para me fazeres acreditar nisso.
Há algo mais que eu não compreendo: porque raio é que eu não consigo deixar de pensar ou falar em ti?? Parece que ainda estou lá em baixo e que ainda espero desesperadamente encontrar-te à beira do edifício da minha residência... Talvez algo me faça desejar que quando eu volte logo, estejas aqui, à minha espera, na porta da "minha" casa. Não sei se te deixaria entrar.
Já tratei de ti, Lua, vou deixar-te aconchegada e a TV ligada para te fazer companhia, não sei se venho para almoçar, mas prometo que te trago um miminho.
Está na minha hora, tenho que me preparar para sair. Desculpa, princesa, deixar-te sozinhaa. Logo compenso-te, enrosco-me contigo na cama para nanarmos uma sesta. Até logo.
Faz-me mal sair sozinha, e muitas vezes a minha mãe me disse para eu não me fechar em mim. A verdade é que por mais que me refute este sentimento, a única companhia que eu gostaria de ter aqui eras tu. Durante os meses da minha estadia em França também muitas vezes te desejei ao meu lado nesses passeios solitários que eu fazia. Mas nunca vieste, e eu passava dias a desejar ter-te ao meu lado, e nada, nunca vieste. Mesmo que não tivesse a ver com a falta de dinheiro, nunca vieste. Jurei que te pagaria o bilhete, se quisesses vir, mas esperei, esperei, e muitas vezes imaginei-te à minha espera na porta da residência... Tudo culpa da minha estupidez natural. Nunca virias. Por isso, desta vez, não vou voltar a fechar-me. Tomei a minha decisão de vez, mesmo que me prometesses que iria ser diferente, não criaste em mim confiança suficiente para me fazeres acreditar nisso.
Há algo mais que eu não compreendo: porque raio é que eu não consigo deixar de pensar ou falar em ti?? Parece que ainda estou lá em baixo e que ainda espero desesperadamente encontrar-te à beira do edifício da minha residência... Talvez algo me faça desejar que quando eu volte logo, estejas aqui, à minha espera, na porta da "minha" casa. Não sei se te deixaria entrar.
Já tratei de ti, Lua, vou deixar-te aconchegada e a TV ligada para te fazer companhia, não sei se venho para almoçar, mas prometo que te trago um miminho.
Está na minha hora, tenho que me preparar para sair. Desculpa, princesa, deixar-te sozinhaa. Logo compenso-te, enrosco-me contigo na cama para nanarmos uma sesta. Até logo.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Não estou a conseguir dormir. Talvez porque adormeci esta tarde. É nestas alturas que sinto falta da poesia. Sinto falta daquela poesia que, por vezes, era tudo, mas jurei a mim mesma há muito tempo que não a voltaria a escrever. Depois há aquela poesia que escrevemos fora do papel, noutros suportes, que na grande maioria das vezes ninguém sabe ler ou sentir. Por fim, há aquela poesia que vemos, sentimos, reprimimos, mas nunca encontramos palavras para a saber explicar. Há algum tempo que não escrevo poesia, e neste momento receio escrevê-la, mas sinto falta. Talvez seja melhor optar por desenhar. Quando não tenho palavras para descrever o que me vai na mente, gosto de desenhar... Mas desenhar o quê? Não estou inspirada e mesmo o desenhar faz-me afundar-me no fundo do que sinto. Prefiro não o fazer. Está combinado. Amanhã irei dar um arejo e conhecer a poesia destas ruelas de Paris, ver pessoas, falar com pessoas que não me respondam com um simples "Mieu". Talvez roube o merceeiro do mini-mercado para ir dar um passeio comigo e dizer-me onde posso comprar um mapa. Preciso URGENTEMENTE de um mapa! Vou perder-me e o mais provável é que nem o mapa me resolva os problemas de orientação. Sou assim, que se há-de fazer. Mas apesar de tudo, gosto de mim assim. Se temos um objectivo muito fincado acabamos por não ver aquilo que aprendemos até consegui-lo. Costuma acontecer.
Acho que vou desenhar a Lua, que já dorme e me aquece a cama com aquela serenidade que se contagia a qualquer pessoa. "Sabes, Lua, também já sentia falta de te ter só para mim e de ser só tua".
Acabei, já, o meu desenho a lápis de carvão. Vai servir de capa para o meu livro, talvez. Boa noite, princesa, vou-me enroscar em ti.
Acho que vou desenhar a Lua, que já dorme e me aquece a cama com aquela serenidade que se contagia a qualquer pessoa. "Sabes, Lua, também já sentia falta de te ter só para mim e de ser só tua".
Acabei, já, o meu desenho a lápis de carvão. Vai servir de capa para o meu livro, talvez. Boa noite, princesa, vou-me enroscar em ti.
Deixei-me adormecer, de novo, e as velas apagaram-se. Sonhei. Mas não me lembro com o quê. Talvez não me queira lembrar. Fui ver e é já noite, ainda não jantei. Sobrou qualquer coisa do almoço, e vou tratar da minha Lua. Deixei-a aconchegada. Resolvi ir até ao sótão. Liguei o meu computador portátil lá com música suave e vou experimentar o telescópio, para ver a lua que reluz entre as nuvens. A outra lua.
Ao ouvir a música penso nas pessoas que já me fizeram sentir especial. Em algumas situações. Parece que me privo de pensar noutras para não sofrer... Nem tudo foi sofrimento, não. Nem foi talvez a isso que quis fugir. Não me quis aproximar mais. Há alturas em que fugir fisicamente ajuda, sem dúvida, a fugir psicologicamente também, embora isso não se tenha passado a última vez que "fugi".
Vou simplesmente olhar para a Lua.
Ao ouvir a música penso nas pessoas que já me fizeram sentir especial. Em algumas situações. Parece que me privo de pensar noutras para não sofrer... Nem tudo foi sofrimento, não. Nem foi talvez a isso que quis fugir. Não me quis aproximar mais. Há alturas em que fugir fisicamente ajuda, sem dúvida, a fugir psicologicamente também, embora isso não se tenha passado a última vez que "fugi".
Vou simplesmente olhar para a Lua.
À luz das velas, que deixaram um aroma a cera pela casa, que tentei disfarçar com incenso, pus-me a pensar, como não devia e no que não devia. Não percebo porque ainda me mandas mensagens. Estou fora, não estou disponível para ninguém, e muito menos para ti. Não te respondo às mensagens porque jurei que não mais o faria, e para além disso o saldo do telemóvel não mo permite.
Estou em Paris. Tudo o que um dia sonhei, de conhecer pessoalmente as ruelas de Paris pode ser concretizado, porque é que quereria prender-me a isso que tu escreves nas mensagens. Não tens de me acusar, foste tu que me enganaste. E agora, que tenho tudo o que pedi, tudo o que me faz feliz, ou que ajuda a isso, para que preciso de ti? Tenho um espaço ao qual posso chamar meu, mesmo que por pouco tempo (o necessário), a companhia da minha princesa, que não só pede carinhos, mas essencialmente dá, que me aquece à noite, que me dá conforto. Porque precisaria de ti? Ao menos este mundo é palpável, está aqui e posso vivê-lo, não me foge. Se um dia for necessário, serei eu a fugir dele, não outra coisa.
Mudo de pensamento. Há pessoas realmente simpáticas.
Confesso que, por vezes, me custa estar sozinha num lugar. Mas tenho-te a ti, Lua, e agradeço-te tanto pela tua companhia estes anos todos. Tu nunca me deixaste ficar mal.
Estou em Paris. Tudo o que um dia sonhei, de conhecer pessoalmente as ruelas de Paris pode ser concretizado, porque é que quereria prender-me a isso que tu escreves nas mensagens. Não tens de me acusar, foste tu que me enganaste. E agora, que tenho tudo o que pedi, tudo o que me faz feliz, ou que ajuda a isso, para que preciso de ti? Tenho um espaço ao qual posso chamar meu, mesmo que por pouco tempo (o necessário), a companhia da minha princesa, que não só pede carinhos, mas essencialmente dá, que me aquece à noite, que me dá conforto. Porque precisaria de ti? Ao menos este mundo é palpável, está aqui e posso vivê-lo, não me foge. Se um dia for necessário, serei eu a fugir dele, não outra coisa.
Mudo de pensamento. Há pessoas realmente simpáticas.
Confesso que, por vezes, me custa estar sozinha num lugar. Mas tenho-te a ti, Lua, e agradeço-te tanto pela tua companhia estes anos todos. Tu nunca me deixaste ficar mal.
O problema de vir morar para o estrangeiro, passa bastante pelo facto de se gastar muito em telecomunicações. De Portugal, trouxe apenas o suficiente para dizer que cheguei e que estou instalada. Não tenho como carregar o meu cartão aqui, e para o tempo que vou ficar, não me adianta comprar um cartão de rede francesa. Talvez mande uma mensagem a alguém conhecido que esteja por estas bandas, para me fazer companhia a uma visita por Paris, amanhã, que é domingo. Não é má ideia. De qualquer forma também posso falar com o rapazito do mini-mercado, pareceu-me ser simpático... Mas conhecendo-me como me conheço, acho que a primeira vez, vou querer ir sozinha. Desculpa, Lua.
Hoje cá vou ficar em casa, a ver um filme qualquer dobrado em francês, sem legendas, na televisão e a arrumar as minhas coisas, o que não fiz ontem. Vou dar um toque de meu à casa (com a promessa de que depois volto a por tudo no lugar) e depois vou relaxar. Ali na esquina há uma pizzaria, talvez encomende uma pizza para o jantar, porque não?
Estou aborrecida, queria sair e não posso porque chove torrencialmente.
Talvez vá dormir e sonhar um pouco. Na cama sempre estou mais aconchegada e as dores de cabeça da trovoada abrandam.
Fiquei sem luz, não há filme.... O que vou fazer?
Batem-me a porta. O merceeiro veio trazer-me algumas velas para eu acender; suspeitou que eu não tivesse como me iluminar. "Merci beaucoup, vous êtes très gentil". E fiquei com o sorriso.
Hoje cá vou ficar em casa, a ver um filme qualquer dobrado em francês, sem legendas, na televisão e a arrumar as minhas coisas, o que não fiz ontem. Vou dar um toque de meu à casa (com a promessa de que depois volto a por tudo no lugar) e depois vou relaxar. Ali na esquina há uma pizzaria, talvez encomende uma pizza para o jantar, porque não?
Estou aborrecida, queria sair e não posso porque chove torrencialmente.
Talvez vá dormir e sonhar um pouco. Na cama sempre estou mais aconchegada e as dores de cabeça da trovoada abrandam.
Fiquei sem luz, não há filme.... O que vou fazer?
Batem-me a porta. O merceeiro veio trazer-me algumas velas para eu acender; suspeitou que eu não tivesse como me iluminar. "Merci beaucoup, vous êtes très gentil". E fiquei com o sorriso.
É quase meio dia... Fiquei-me a dormir. A Lua ainda está enroscada nos meus braços e parece não querer deixar que eu me levante da cama: "Não vás...". Calcei os chinelos e fui até à varanda. Está um dia de trovoada, e chove torrencialmente. Parece-me que vamos ficar a ver um filme por aqui. "Que achas?" Para o almoço ainda não sei bem o que fazer, mas algo me há-de surgir... Apesar de tudo estou com preguiça e o facto de estar a chover lá fora arrepia-me toda e faz-me perder a vontade de sair e conhecer Paris. Hoje é Sábado, talvez amanhã o tempo melhore. Mas receio ficar a pensar, se ficar fechada em casa... E ir para a chuva ainda me faz pensar mais. Não sei como conseguiste, mas só te digo que eu consigo ultrapassar-te mais facilmente que tudo o que pensas. Eu sei que consigo. Aqui em Paris, "cidade do amor", vou sonhar, vou apaixonar-me, vou viver intensamente e nada, mas nada me vai impedir de conseguir essa felicidade. Boa sorte para ti também. "Lua... anda comer!"
Na minha estupidez natural, sinto-me bonita. Apetece-me arranjar a casa ao meu gosto e deixar em cada canto um pouco da minha alegria por estas 24 horas de viagem correrem tão bem. Não me vou esquecer da senhora que me esteve a fazer companhia durante a viagem. Fez-me lembrar a minha avó, que faleceu ainda não há um mês e de quem tenho tantas, tantas saudades.... Mas não vou falar de saudades, pois afinal de contas deixei tudo para trás: o curso, as pessoas... Espero que me compreendam, também é pouco tempo, apenas até libertar todo o mal que me fizeste e ganhar tudo aquilo que me tiraste durante a última semana. E mais não digo, pois quero ser feliz e tenho tudo para ser feliz.
Está uma noite que parece de Verão, em Fevereiro, vejam lá! Puxei a cadeira de baloiço que está no meu quarto para a varanda do mesmo, que é espaçosa e sentei-me lá, com a minha princesa ao colo, embrulhada num cobertor... E ela rosna-me, apesar de saber que eu sei que ela adora as minhas festas, está só a fazer-se difícil (como eu, às vezes). O ar cheira a flores e vejo morcegos no crepúsculo do Luar... Lá em baixo na rua passou o rapazito do mini-mercado, e viu-me. "Bonsoir"!, cumprimentamo-nos. E no meio da luz das estrelas, que parecem rir-se da minha cara de sono, quase que adormeço. Na promessa de bons tempos, rezo para que tudo esteja bem pelos lados dos lugares que deixei... A Lua, entretanto, já foi para a cama, e já me olha como se fosse para me chamar: deixo as estrelas e vou ter com a Lua. Adormeço antes de apagar a luz, como de costume. Mas vou dormir bem. Boa noite
Está uma noite que parece de Verão, em Fevereiro, vejam lá! Puxei a cadeira de baloiço que está no meu quarto para a varanda do mesmo, que é espaçosa e sentei-me lá, com a minha princesa ao colo, embrulhada num cobertor... E ela rosna-me, apesar de saber que eu sei que ela adora as minhas festas, está só a fazer-se difícil (como eu, às vezes). O ar cheira a flores e vejo morcegos no crepúsculo do Luar... Lá em baixo na rua passou o rapazito do mini-mercado, e viu-me. "Bonsoir"!, cumprimentamo-nos. E no meio da luz das estrelas, que parecem rir-se da minha cara de sono, quase que adormeço. Na promessa de bons tempos, rezo para que tudo esteja bem pelos lados dos lugares que deixei... A Lua, entretanto, já foi para a cama, e já me olha como se fosse para me chamar: deixo as estrelas e vou ter com a Lua. Adormeço antes de apagar a luz, como de costume. Mas vou dormir bem. Boa noite
Comprei pão, leite, algumas mercearias para encher a despensa enquanto estou aqui, e umas guloseimas para nós. No mini-mercado do outro lado da rua estavam expostos uns croissants e uns "pain au chocolat" que pareciam mesmo ter acabado de sair do forno, iguaizinhos àqueles que comi no primeiro dia que vim a França, há uns meses atrás. Também trouxe. O rapazito do balcão foi simpático comigo. Estivemos a conversar um pouco sobre o que me levou a fazer esta viagem, e fiquei com o seu contacto. Gostei de praticar o meu francês; afinal de contas, não enferrujou desde que voltei para Portugal em Dezembro. É bom saber que há pessoas simpáticas e que se disponibilizam para nos receber de braços abertos... Mesmo que seja um simples merceeiro e que esteja apenas a cativar clientes, sabe sempre bem. Ficou a promessa de lá voltar.
Trouxe alguém muito especial comigo, a minha companheira de noite e dia, e juro que nunca a trocarei seja por qualquer homem, pois ela, sim, completa-me. E então, cá estamos nós. Chamo um táxi para me levar ao meu destino, que ainda não sei bem qual é, pois nunca lá estive. Uma amiga emprestou-me as chaves de casa dela para eu passar uns tempos, pois precisava de fugir daquele lugar. Neste momento sinto-me uma caixa vazia, mas bem acolchoada com tudo o que passei. Libertar-me foi a melhor coisa que poderia fazer, libertar-me de ti e de todos os outros que me deixaram assim: uma caixa vazia. A Lua olha para mim com aquele olhar de "é agora que vais ser só minha?". Tiro-a da caixa transportadora e vamos as duas conhecer a casa. É linda, e curiosamente, nos próximos tempos, vou ter a torre Eiffel de frente para mim. A casa é antiga, fica no cimo de um prédio de 4 andares que parece cair aos bocados, mas é pequenina, assim como eu gosto; tem um sótão onde me posso refugiar e, ao pé da janela do telhado, um telescópio onde posso olhar as estrelas. E vou viver aqui, nos próximos tempos. Talvez apaixonar-me. "Não,Lua, não me vou esquecer de ti", sussurro-lhe ao ouvido enquanto me recosto no sofá e a puxo para mim, para descansarmos quentinhas, enroscadinhas uma na outra, como já era o costume. Vai ser tão lindo recomeçar aqui... Voltar a ser eu...
Na varanda há um vaso com flores coloridas, uma espécie de trepadeira, que ainda não descobri a espécie, que dá ainda mais cor a esta "nova" casa. A cozinha é pequenina, mas dá para partilhar contigo. Enfim, tenho tudo. Não tenho ainda acesso à Internet, e pergunto-me se valerá a pena investir.
Deixei a Lua enroscada no sofá e vou dar um passeio, enquanto o sol não se põe. Quando voltar arrumo as poucas tralhas que trouxe. Até já, princesa.
Na varanda há um vaso com flores coloridas, uma espécie de trepadeira, que ainda não descobri a espécie, que dá ainda mais cor a esta "nova" casa. A cozinha é pequenina, mas dá para partilhar contigo. Enfim, tenho tudo. Não tenho ainda acesso à Internet, e pergunto-me se valerá a pena investir.
Deixei a Lua enroscada no sofá e vou dar um passeio, enquanto o sol não se põe. Quando voltar arrumo as poucas tralhas que trouxe. Até já, princesa.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Bem, cheguei a Paris. Aqui tudo é tão diferente... Da janela do autocarro vêem-se pessoas a correr, outras a sorrir, outras a pensar, e eu penso no que estarão elas a pensar... Subitamente o autocarro pára e anuncia a chegada aos passageiros, e entre eles eu me desloco, para poder encontrar as minhas bagagens no meio de toda aquela confusão que é sempre a bagageira de um autocarro. Mas eu nem trouxe grande bagagem comigo. Para ser sincera, bastou-me arrumar uns trocos no bolso, os documentos, um caderno, já meio usado, uma caneta e alguns chocolates para adoçar a boca em momentos de desespero. O resto das coisas são os indispensáveis e se não fosse o senhor motorista, acho que passava bem sem meter a minha mala no meio daquela confusão... Ossos do ofício (ou não).
Está um dia lindo, nem acredito que depois da chuva de tempestade que apanhei pelo caminho consegui chegar e receber a luz do sol... O problema são os chocolates, que de certeza vão derreter :p
Está um dia lindo, nem acredito que depois da chuva de tempestade que apanhei pelo caminho consegui chegar e receber a luz do sol... O problema são os chocolates, que de certeza vão derreter :p
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