domingo, 21 de fevereiro de 2010

Não estou a conseguir dormir. Talvez porque adormeci esta tarde. É nestas alturas que sinto falta da poesia. Sinto falta daquela poesia que, por vezes, era tudo, mas jurei a mim mesma há muito tempo que não a voltaria a escrever. Depois há aquela poesia que escrevemos fora do papel, noutros suportes, que na grande maioria das vezes ninguém sabe ler ou sentir. Por fim, há aquela poesia que vemos, sentimos, reprimimos, mas nunca encontramos palavras para a saber explicar. Há algum tempo que não escrevo poesia, e neste momento receio escrevê-la, mas sinto falta. Talvez seja melhor optar por desenhar. Quando não tenho palavras para descrever o que me vai na mente, gosto de desenhar... Mas desenhar o quê? Não estou inspirada e mesmo o desenhar faz-me afundar-me no fundo do que sinto. Prefiro não o fazer. Está combinado. Amanhã irei dar um arejo e conhecer a poesia destas ruelas de Paris, ver pessoas, falar com pessoas que não me respondam com um simples "Mieu". Talvez roube o merceeiro do mini-mercado para ir dar um passeio comigo e dizer-me onde posso comprar um mapa. Preciso URGENTEMENTE de um mapa! Vou perder-me e o mais provável é que nem o mapa me resolva os problemas de orientação. Sou assim, que se há-de fazer. Mas apesar de tudo, gosto de mim assim. Se temos um objectivo muito fincado acabamos por não ver aquilo que aprendemos até consegui-lo. Costuma acontecer.
Acho que vou desenhar a Lua, que já dorme e me aquece a cama com aquela serenidade que se contagia a qualquer pessoa. "Sabes, Lua, também já sentia falta de te ter só para mim e de ser só tua".
Acabei, já, o meu desenho a lápis de carvão. Vai servir de capa para o meu livro, talvez. Boa noite, princesa, vou-me enroscar em ti.

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