Viver em Paris
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Estranho pensar como passou o tempo tão depressa, como depressa me acomodei a este espaço onde pouco mais acontece, senão eu. Soam músicas de Natal lá fora, e ainda me recordo daquela noite... Suspiro por não saber o que pensar, ou o que dizer, portanto simplesmente suspiro. Será que ainda te lembras? Será que ainda pensas nisso? Sei que hoje vou adormecer com um sonho no pensamento, um carinho em mim. Não sei porque ainda me controlo para te dizer o que penso, o que sinto... As palavras com certeza não me reconfortarão do facto de neste momento não estares comigo. Vou levar a Lua comigo para o sótão esta noite, e um cobertor. Estou cansada, mas não consigo adormecer sem achar que vais aparecer por aí... Como gostava de não sentir necessidade de o dizer, de não sentir... de ser apenas eu na multidão que faz o eu no meu mundo... Mas não, tu também lá estás, e o teu olhar; assim como toda aquela recordação que tenho de ti e guardei nas estrelas que baptizámos do meu telescópio. E Paris torna-se assim mais que aqueles sonhos que costumamos ter à distância... Talvez aquele que de todos seja o mais real. Ainda assim, fujo ao sonho com vontade de o agarrar. Vem Lua, vem para junto de mim.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Deste-me vontade de escrever. Já há muito o não fazia por ninguém. Sei que nunca lerás estas palavras e muito provavelmente nem as perceberás, a não ser por gestos.
Gostei de sonhar esta noite. Partilhar contigo o meu espaço, este simples apartamento no quarto andar do prédio que tem vista para a torre Eiffel... Vêem-se as luzes de Natal já a iluminar as ruas e eu pergunto-me porque sinto que és aquela pessoa que nunca procurei, mas que apareceu... Pergunto-me o que sentiste...
Gostei de sonhar esta noite. Partilhar contigo o meu espaço, este simples apartamento no quarto andar do prédio que tem vista para a torre Eiffel... Vêem-se as luzes de Natal já a iluminar as ruas e eu pergunto-me porque sinto que és aquela pessoa que nunca procurei, mas que apareceu... Pergunto-me o que sentiste...
sábado, 29 de maio de 2010
Esplendorosamente acordei de um sonho lindo, como se estivesse a dormir durante meses... Mas que sonho!!! Acho que foi tão lindo como assustador, mas não lhe poderei chamar pesadelo. Nele entraram todas as pessoas que para mim são especiais, talvez todas as coisas também... E que saudade! Que saudade de me sentir aconchegada pelas pessoas que me querem... Ele também entrou... O rapaz da mercearia lá de baixo. Não sei se lhe deva contar esse meu sonho, pois foi tão real, mas ao mesmo tempo tão fictício, e nunca qualquer fantasia que se possa ter criado sobre esse sonho pode vir a concretizar-se.
Deu-me vontade de voltar a Portugal, mas ainda é cedo, vou talvez esperar pelas férias grandes, com ideias novas, com sonhos diferentes... Não posso deixar-me levar por um sonho assim, não sem ter tido outros. Tem sido tudo muito sossegado por aqui, mas sinto necessidade de viver. Acho que vou ao cinema, ou alugar um filme, ou mesmo quem sabe, convidá-lo para jantar aqui em casa, e para vermos um filme por cá. Acho que não é má ideia...
Bem, vou sair. A Lua olha-me de novo com aqueles olhos de "mas que raio! vais deixar-me sozinha outra vez???".
Tem que ser, Princesa. O sonho deu-me fome, vou comprar pãozinho fresco e os ingredientes para o jantar. E claro, vou fazer o convite! ***
Deu-me vontade de voltar a Portugal, mas ainda é cedo, vou talvez esperar pelas férias grandes, com ideias novas, com sonhos diferentes... Não posso deixar-me levar por um sonho assim, não sem ter tido outros. Tem sido tudo muito sossegado por aqui, mas sinto necessidade de viver. Acho que vou ao cinema, ou alugar um filme, ou mesmo quem sabe, convidá-lo para jantar aqui em casa, e para vermos um filme por cá. Acho que não é má ideia...
Bem, vou sair. A Lua olha-me de novo com aqueles olhos de "mas que raio! vais deixar-me sozinha outra vez???".
Tem que ser, Princesa. O sonho deu-me fome, vou comprar pãozinho fresco e os ingredientes para o jantar. E claro, vou fazer o convite! ***
segunda-feira, 1 de março de 2010
Acordei e abri as portadas da varanda. A luz dos raios de sol entrou pelo meu quarto e vi esvoaçar a primeira borboleta do ano. Amarelinha, reflecte os raios de sol, como se ainda mais forte fosse do que eles. A borboletinha não iluminou apenas o meu caminho, fez-me sorrir, iluminou-me a alma. Nem sempre fui fã de borboletas. Em pequena tinha pavor a estes pequeninos e indefesos animais. Talvez ainda guarde algum. Faz-me um pouco de impressão sentir o bater de asas que não são de pássaros, mas é uma simples impressão.
No entanto, esta simples borboleta relembrou-me aquela Primavera que não sinto há muito, encheu-me de alegria.
Neste momento a minha varanda é um terraço, e eu sou borboletinha amarela, como naquele poema que um dia te escrevi. Deves lembrar-te dele. Na altura só queria ser assim, como tu, borboletinha amarela. Parece-me que finalmente o consegui... Será verdade?
No entanto, esta simples borboleta relembrou-me aquela Primavera que não sinto há muito, encheu-me de alegria.
Neste momento a minha varanda é um terraço, e eu sou borboletinha amarela, como naquele poema que um dia te escrevi. Deves lembrar-te dele. Na altura só queria ser assim, como tu, borboletinha amarela. Parece-me que finalmente o consegui... Será verdade?
sábado, 27 de fevereiro de 2010
A dor no meu peito não é má, nem tão perto disso. Precisei de fugir, mesmo sabendo que ela me acompanharia. Ouvi dizer que em Portugal o tempo está horrível, que mal se pode sair de casa. Só rezo para que o vento não venha até cá. Hoje perdi-me, como calculava, mas não me arrependo disso. Estava na esperança de encontrar alguém conhecido por estes lados, sei lá... Ando com saudades de cozinhar para muita gente e receber elogios dos meus cozinhados (quem não gosta?). Sinto saudades, especialmente, do Verão. Quando vem o Inverno parece que nos esquecemos do desconforto que o calor em demasia nos traz, mas neste momento dava tudo para que fosse Verão um dia a seguir ao outro.
Estive a almoçar ao pé da torre Eiffel. Não sei que mais posso pedir para viver "La vie en rose".
Passei num centro de computadores onde temos acesso à Internet e gastei umas moeditas para consultar a minha caixa de email. Talvez tivesse sido melhor não o ter feito, até porque tenho que esquecer por uns tempos Portugal. Penso que a 1a viagem que fiz de França para Portugal foi um grande desafio. Não sei porque perdi toda essa autonomia, toda essa capacidade de me desafiar a mim mesma nos três meses e pouco que passei em Portugal depois de ter regressado "de vez". A verdade é que também foi grande desafio ter deixado tudo para trás. Está na altura de começar a pensar no que vou fazer para compor a minha vida... Talvez peça de Portugal os documentos necessários para me inscrever para os exames nacionais e recandidatar-me ao ensino superior. Adorava seguir algo relacionado com artes ou literatura. Vou pensar no assunto... Quem sabe, não afino o meu francês e não me candidato aqui em Paris a fazer algo que realmente me chame a atenção... Mas aqui em França seria difícil ser reconhecida. Não... Algum dia terei de voltar para Portugal e tenho que me preparar psicologicamente para isso. A Lua concorda comigo.
Apetece-me fazer assim uma loucura... Vou combinar algo com o rapazito da mercearia. Apetece-me sair, dançar, cantar, sei lá... Viver... Apetece-me viver!
Estive a almoçar ao pé da torre Eiffel. Não sei que mais posso pedir para viver "La vie en rose".
Passei num centro de computadores onde temos acesso à Internet e gastei umas moeditas para consultar a minha caixa de email. Talvez tivesse sido melhor não o ter feito, até porque tenho que esquecer por uns tempos Portugal. Penso que a 1a viagem que fiz de França para Portugal foi um grande desafio. Não sei porque perdi toda essa autonomia, toda essa capacidade de me desafiar a mim mesma nos três meses e pouco que passei em Portugal depois de ter regressado "de vez". A verdade é que também foi grande desafio ter deixado tudo para trás. Está na altura de começar a pensar no que vou fazer para compor a minha vida... Talvez peça de Portugal os documentos necessários para me inscrever para os exames nacionais e recandidatar-me ao ensino superior. Adorava seguir algo relacionado com artes ou literatura. Vou pensar no assunto... Quem sabe, não afino o meu francês e não me candidato aqui em Paris a fazer algo que realmente me chame a atenção... Mas aqui em França seria difícil ser reconhecida. Não... Algum dia terei de voltar para Portugal e tenho que me preparar psicologicamente para isso. A Lua concorda comigo.
Apetece-me fazer assim uma loucura... Vou combinar algo com o rapazito da mercearia. Apetece-me sair, dançar, cantar, sei lá... Viver... Apetece-me viver!
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Cheguei a casa. Como deixei a porta da varanda aberta, andei preocupada à tua procura, Lua, enquanto não te vi lá a matar passarinhos só com os olhos. Apesar de tudo, sempre admirei o mistério que tens no teu olhar quando olhas para cima, para o azul do céu. Com a cabeça entre as grades da varanda quase que te vejo a cair, sua maluca! Vem já para aqui! Trouxe-te um mimo, como te prometi. Passei numa loja de animais e trouxe um brinquedito para nos entreter-nos juntas.
Como foi o passeio? Foi bom, mas estou cansada demais para contar. Prometo que esclareço tudo mais tarde. "Vou encostar-me na cadeira de baloiço, queres vir?"
Como foi o passeio? Foi bom, mas estou cansada demais para contar. Prometo que esclareço tudo mais tarde. "Vou encostar-me na cadeira de baloiço, queres vir?"
São 8 da manhã. Hoje está um dia lindo, daqueles em que não importa quantos quilómetros andamos a pé, desde que aproveitemos o dia ao máximo para conhecer. Logo, é o dia ideal para começar a minha visita auto-guiada por Paris. Levo aquilo que é necessário, e mal o Sol se levante mais um pouco, eu saio. Hoje não está vento nenhum, não há uma nuvem no céu... E condeno-me por viajar solitária. Sou assim, e por ser assim é que consigo receber a poesia dentro de mim.
Faz-me mal sair sozinha, e muitas vezes a minha mãe me disse para eu não me fechar em mim. A verdade é que por mais que me refute este sentimento, a única companhia que eu gostaria de ter aqui eras tu. Durante os meses da minha estadia em França também muitas vezes te desejei ao meu lado nesses passeios solitários que eu fazia. Mas nunca vieste, e eu passava dias a desejar ter-te ao meu lado, e nada, nunca vieste. Mesmo que não tivesse a ver com a falta de dinheiro, nunca vieste. Jurei que te pagaria o bilhete, se quisesses vir, mas esperei, esperei, e muitas vezes imaginei-te à minha espera na porta da residência... Tudo culpa da minha estupidez natural. Nunca virias. Por isso, desta vez, não vou voltar a fechar-me. Tomei a minha decisão de vez, mesmo que me prometesses que iria ser diferente, não criaste em mim confiança suficiente para me fazeres acreditar nisso.
Há algo mais que eu não compreendo: porque raio é que eu não consigo deixar de pensar ou falar em ti?? Parece que ainda estou lá em baixo e que ainda espero desesperadamente encontrar-te à beira do edifício da minha residência... Talvez algo me faça desejar que quando eu volte logo, estejas aqui, à minha espera, na porta da "minha" casa. Não sei se te deixaria entrar.
Já tratei de ti, Lua, vou deixar-te aconchegada e a TV ligada para te fazer companhia, não sei se venho para almoçar, mas prometo que te trago um miminho.
Está na minha hora, tenho que me preparar para sair. Desculpa, princesa, deixar-te sozinhaa. Logo compenso-te, enrosco-me contigo na cama para nanarmos uma sesta. Até logo.
Faz-me mal sair sozinha, e muitas vezes a minha mãe me disse para eu não me fechar em mim. A verdade é que por mais que me refute este sentimento, a única companhia que eu gostaria de ter aqui eras tu. Durante os meses da minha estadia em França também muitas vezes te desejei ao meu lado nesses passeios solitários que eu fazia. Mas nunca vieste, e eu passava dias a desejar ter-te ao meu lado, e nada, nunca vieste. Mesmo que não tivesse a ver com a falta de dinheiro, nunca vieste. Jurei que te pagaria o bilhete, se quisesses vir, mas esperei, esperei, e muitas vezes imaginei-te à minha espera na porta da residência... Tudo culpa da minha estupidez natural. Nunca virias. Por isso, desta vez, não vou voltar a fechar-me. Tomei a minha decisão de vez, mesmo que me prometesses que iria ser diferente, não criaste em mim confiança suficiente para me fazeres acreditar nisso.
Há algo mais que eu não compreendo: porque raio é que eu não consigo deixar de pensar ou falar em ti?? Parece que ainda estou lá em baixo e que ainda espero desesperadamente encontrar-te à beira do edifício da minha residência... Talvez algo me faça desejar que quando eu volte logo, estejas aqui, à minha espera, na porta da "minha" casa. Não sei se te deixaria entrar.
Já tratei de ti, Lua, vou deixar-te aconchegada e a TV ligada para te fazer companhia, não sei se venho para almoçar, mas prometo que te trago um miminho.
Está na minha hora, tenho que me preparar para sair. Desculpa, princesa, deixar-te sozinhaa. Logo compenso-te, enrosco-me contigo na cama para nanarmos uma sesta. Até logo.
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